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Grande Crucifixo de Altar com Cristo Policromado e Resplendor Dourado – c. 1890–1920 – 142 cm

2995,00 

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Imponente crucifixo de altar de grandes dimensões, atribuível a finais do século XIX / primeiras décadas do século XX, constituído por Cristo crucificado em material cerâmico policromado, grande cruz em madeira, resplendor raiado com acabamento dourado e base semicircular.

A figura de Cristo apresenta uma execução cuidada e bom nível de pormenor, particularmente evidente na modelação do rosto, cabelo e barba, anatomia, panejamento e representação expressiva das chagas da Paixão. É constituída por três elementos desmontáveis — corpo e dois braços — unidos através de encaixes em madeira e fixados à cruz por elementos metálicos nas mãos e pés.

A cruz separa-se da base, cuja configuração semicircular permite a apresentação da peça sobre altar, credência ou móvel colocado junto de uma parede.

O resplendor conserva vestígios do seu acabamento dourado original, atualmente bastante desgastado pelo tempo, apresentando uma pequena falha localizada na madeira. A base conserva antigos vestígios de xilófagos, entretanto tratados.

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Imponente crucifixo de altar de grandes dimensões, concebido como conjunto devocional autónomo para apresentação frontal, constituído por figura policromada de Cristo Crucificado, cruz em madeira trabalhada e policromada, resplendor raiado com acabamento dourado e base semicircular de sustentação.

Com aproximadamente 142 cm de altura total, a peça possui uma presença visual muito significativa, encontrando-se numa escala claramente superior à dos crucifixos domésticos convencionais. A sua construção, dimensão e configuração indicam uma utilização sobre altar, credência, consola ou outro móvel colocado junto de uma parede ou estrutura vertical, onde assumiria simultaneamente uma função devocional e de aparato.

A figura de Cristo constitui o elemento central do conjunto e mede aproximadamente 45 cm da cabeça aos pés e 30,5 cm entre as mãos. É executada em material cerâmico moldado, aparentemente de pasta clara, posteriormente policromado. Na ausência de análise material direta, não se considera prudente classificá-la de forma definitiva como porcelana, biscuit, faiança ou outra tipologia cerâmica específica.

Cristo surge representado já crucificado, de braços abertos e elevados, cabeça inclinada, corpo alongado sobre o eixo vertical da cruz, pernas ligeiramente fletidas e pés sobrepostos. A imagem revela uma execução cuidada e um apreciável nível de pormenor escultórico, particularmente evidente no tratamento do rosto, cabelo e barba, na definição da caixa torácica e do abdómen, na modelação dos braços, pernas, mãos e pés e no desenvolvimento das pregas do perizónio.

A cabeça inclinada e a expressão recolhida conferem à figura uma marcada dimensão contemplativa. O tratamento anatómico, embora subordinado à função religiosa da imagem, procura transmitir de forma convincente a tensão e o sofrimento físico associados à Crucifixão.

O cabelo é trabalhado em madeixas onduladas, a barba encontra-se individualizada e os elementos do rosto foram cuidadosamente modelados. Também as mãos, pés e dedos revelam atenção ao detalhe, embora existam atualmente algumas pequenas perdas localizadas, próprias do estado de conservação da peça.

Cristo encontra-se coberto por perizónio de tonalidade clara, modelado com pregas pronunciadas, cujo movimento introduz um contraponto à acentuada verticalidade da composição.

A policromia desempenha um papel determinante na expressividade da imagem. As carnações claras contrastam com o cabelo e barba mais escuros, com a tonalidade do panejamento e, sobretudo, com os intensos apontamentos avermelhados utilizados na representação das chagas, ferimentos e sangue da Paixão.

São particularmente evidentes as marcas de sangue nas mãos, braços, torso, joelhos, pernas e pés. Este tratamento pictórico acentua deliberadamente o sofrimento corporal de Cristo e insere a figura numa tradição de imaginária religiosa de forte carácter naturalista e devocional, concebida para provocar uma resposta emocional e contemplativa no observador.

Do ponto de vista iconográfico, o conjunto centra-se inteiramente na representação de Cristo Crucificado e da Paixão, conjugando a postura do corpo, a cabeça inclinada, as chagas, o sangue, o perizónio, a cruz e o resplendor numa composição visualmente coerente.

Um dos aspetos tecnicamente mais interessantes da peça encontra-se na própria construção da figura de Cristo. A imagem não é constituída por um único elemento, mas por três componentes desmontáveis: o corpo e os dois braços. Cada braço une-se ao tronco através de elementos de encaixe em madeira, permitindo a sua separação individual.

A figura completa é também integralmente separável da cruz. A sua fixação à estrutura é realizada através de elementos metálicos que atravessam as zonas correspondentes às mãos e aos pés. Existem, portanto, dois sistemas de montagem distintos: encaixes de madeira na união dos braços ao corpo e elementos metálicos na ligação da figura à cruz.

Esta construção desmontável constitui uma característica técnica relevante da obra e demonstra que a imagem foi concebida para ser montada sobre uma estrutura própria, e não simplesmente produzida como escultura autónoma.

A figura encontra-se aplicada sobre uma robusta cruz em madeira, com aproximadamente 142 cm de altura, 48 cm de largura e cerca de 5 cm de espessura.

A superfície da cruz apresenta um tratamento deliberadamente irregular, procurando evocar a aparência de troncos ou madeira pouco aparelhada, em oposição a uma cruz de linhas lisas e estritamente geométricas. Predominam tonalidades castanhas escuras, negras e outros matizes resultantes da policromia e do natural envelhecimento dos acabamentos.

O contraste entre a cruz escura e as carnações mais claras do Cristo aumenta significativamente a legibilidade da figura e o impacto visual do conjunto, sobretudo quando observado à distância.

Na zona de intersecção dos braços da cruz encontra-se um amplo resplendor raiado em madeira com acabamento dourado, constituído por múltiplos elementos alongados dispostos radialmente em redor da figura.

O acabamento dourado encontra-se atualmente consideravelmente desgastado pelo tempo, apresentando perdas e zonas de menor intensidade cromática. Este envelhecimento permite ainda reconhecer claramente a intenção dourada do elemento, embora já não conserve a uniformidade que teria numa fase anterior da sua existência.

O resplendor cumpre igualmente uma importante função compositiva, destacando a parte superior do corpo de Cristo, quebrando a rigidez geométrica da cruz e criando uma expansão radial em redor da figura.

Apresenta uma pequena falha localizada na madeira de um dos elementos raiados, visível nas fotografias e mantida no seu estado atual.

Todo o conjunto assenta sobre uma base semicircular, ou em meia-lua, executada em madeira policromada, com aproximadamente 30 × 19 cm.

A forma da base constitui uma informação essencial para compreender a função original da peça. O reduzido desenvolvimento da zona posterior permite aproximar o crucifixo de uma parede, retábulo, painel ou qualquer outra superfície vertical, enquanto a projeção semicircular frontal proporciona a estabilidade necessária à elevada estrutura da cruz.

Esta solução é, por isso, plenamente coerente com a utilização da peça como crucifixo de altar ou grande crucifixo de aparato devocional, destinado a ser colocado sobre uma superfície elevada e junto de um fundo vertical.

A cruz separa-se igualmente da base, reforçando o carácter desmontável da construção. O conjunto pode, assim, ser separado em base, cruz, corpo de Cristo e dois braços.

Do ponto de vista cronológico, a peça não apresenta, nas áreas observadas, assinatura, marca de oficina, inscrição datada ou documentação de proveniência que permita estabelecer uma data precisa.

Todavia, a leitura conjunta da linguagem naturalista da figura, do tratamento expressivo da policromia, da construção desmontável do Cristo, dos sistemas de encaixe, da configuração da cruz, do resplendor dourado e da base de altar permite propor, com a devida prudência, uma datação aproximada de c. 1890–1920, admitindo-se como intervalo cronológico mais amplo os finais do século XIX e as primeiras décadas do século XX.

Esta cronologia deve ser entendida como atribuição curatorial baseada nas características observáveis da obra, e não como uma datação documental.

A autoria, oficina e origem geográfica permanecem por determinar. Na ausência de elementos adicionais, não se considera adequado atribuir a peça a uma escola portuguesa, espanhola, italiana ou de outra proveniência específica.

Estado de conservação

O conjunto conserva uma muito boa presença visual e uma leitura integral da sua configuração, apresentando simultaneamente sinais de envelhecimento, utilização e desgaste compatíveis com uma peça desta natureza.

Na figura de Cristo observam-se desgaste localizado da policromia, pequenas irregularidades e perdas superficiais, bem como pequena perda num dos dedos e marcas associadas às zonas de montagem das mãos e dos pés.

A cruz apresenta desgaste, abrasões e pequenas irregularidades superficiais decorrentes do envelhecimento e utilização.

O resplendor conserva o acabamento dourado bastante gasto pelo tempo, com perdas localizadas, apresentando também a já referida pequena falha num dos seus elementos em madeira.

Na base da cruz são visíveis antigos orifícios e marcas de atividade de insetos xilófagos — vulgarmente designados por bicho-da-madeira. Esta situação foi entretanto tratada e encontra-se resolvida, permanecendo naturalmente visíveis os vestígios materiais da antiga atividade.

Não foi realizada nenhuma intervenção estética destinada a ocultar estas marcas.

A patine, o desgaste do acabamento dourado e as restantes marcas de utilização constituem parte da história material da peça e contribuem para a sua leitura enquanto objeto devocional de época.

Não sendo conhecida a totalidade do historial de conservação da obra, não se afirma que todos os acabamentos, policromias, fixações ou elementos atualmente presentes tenham permanecido absolutamente inalterados desde a sua execução.

Nota curatorial

O interesse deste crucifixo ultrapassa claramente a sua dimensão.

A obra distingue-se pela qualidade apreciável da modelação do Cristo, pela atenção dedicada aos pequenos pormenores anatómicos e fisionómicos, pela expressividade da policromia da Paixão, pela interessante construção desmontável da figura e pela conservação do conjunto formado por Cristo, cruz, resplendor dourado e base própria.

A escala de 1,42 metros, conjugada com a cruz de aparência naturalista e o movimento radial do resplendor, confere-lhe uma presença particularmente forte.

É precisamente a articulação entre qualidade escultórica, impacto visual, construção, iconografia e função devocional que confere interesse ao conjunto enquanto peça de Arte Sacra e objeto de coleção.

Dimensões

  • Altura total do conjunto: 142 cm
  • Largura da cruz: 48 cm
  • Espessura aproximada da cruz: 5 cm
  • Cristo, da cabeça aos pés: aprox. 45 cm
  • Cristo, entre as mãos: 0,5 cm
  • Base semicircular: 30 × 19 cm

A cruz separa-se da base. A figura de Cristo separa-se da cruz e é desmontável em três elementos — corpo e dois braços — através do sistema de montagem anteriormente descrito.

A peça é vendida exatamente no estado em que se encontra.

Todas as marcas de idade e utilização, desgaste da policromia, desgaste e perdas do acabamento dourado, pequenas perdas existentes na figura, pequena falha no resplendor e antigos vestígios de xilófagos já tratados na base são assumidos como parte do atual estado de conservação.

As fotografias fazem parte integrante da descrição e devem ser observadas atentamente para apreciação do estado de conservação da peça.