Crónicas do Tempo do Cavaleiro Charles e do Seu Fiel Escudeiro Pompidouze | Miguel Barbosa | Galeria Panorama
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Crónicas do Tempo do Cavaleiro Charles e do Seu Fiel Escudeiro Pompidouze, de Miguel Barbosa, edição da Galeria Panorama. Obra de caráter literário, marcada pelo tom cronístico e pela construção narrativa em torno das personagens que dão título ao livro.
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Obra de Miguel Barbosa publicada pela Galeria Panorama, com sede em Alfragide (Damaia), na série «AP» — Autores Portugueses —, de que constitui o número 1, conforme indicação impressa na lombada e na folha de rosto. O título, deliberadamente longo e burlesco, anuncia desde logo o registo do livro: uma crónica paródica de cavalaria, feita de deambulação, sátira e absurdo, em que o cavaleiro Charles e o escudeiro Pompidouze servem de pretexto a uma reflexão sobre o tempo presente do autor.
O índice reproduzido nas fotografias mostra a obra organizada em partes e capítulos de títulos igualmente irónicos («As porcas de uma mesma máquina», «O Desnorteado Alan procura uma razão para viver», «Breves considerações sobre a época do cavaleiro Charles e do seu fiel escudeiro Pompidouze»), fechando com um «Epílogo, que por sinal não é epílogo... mas para alguns poderá vir a sê-lo». A capa, de composição gráfica vivíssima em rosa, amarelo e verde, com um escudo heráldico sobre rodas e uma figura de perfil, é exemplar do design editorial português dos anos sessenta.
Na capa transcreve-se ainda uma apreciação da revista Books Abroad (Oklahoma University Press): «Um Ionesco Ibérico? Ou um Arrabal irritante? Não. Preferimos ver nas suas peças todo um conjunto de elementos caracteristicamente portugueses.» A contracapa reúne nota biobibliográfica do autor e um juízo de Urbano Tavares Rodrigues.
Ficha técnica:
- Título: Crónicas do Tempo do Cavaleiro Charles e do Seu Fiel Escudeiro Pompidouze
- Autor: Miguel Barbosa
- Editora: Galeria Panorama
- Local de edição: Alferragide (Damaia), Portugal
- Publicação: Série AP (Autores Portugueses), n.º 1
- Encadernação: Brochado
- Páginas: 181, [x] págs.
- Ilustração: Ilustrado em extratexto sobre papel couché, com fac-símile
- Dimensões: 20 x 14 cm
- Idioma: Português
Sobre o autor:
Miguel Barbosa nasceu em Lisboa em 1925 e formou-se em Ciências Económicas e Financeiras, segundo a nota impressa na contracapa deste exemplar. Aí se listam obras anteriores como «Retalhos da Vida», «Manta de Trapos», «O Palheiro», «Os Carnívoros», «O Piquenique», «O Insecticida», «Uma Flor na Morávia» e «Muro Alto», esta última já transmitida na televisão.
Dramaturgo, ficcionista e, mais tarde, também artista plástico, Barbosa foi frequentemente aproximado do teatro do absurdo europeu — Beckett, Ionesco, Arrabal —, leitura que a própria editora explora nos textos de capa e contracapa. Urbano Tavares Rodrigues, citado no verso, observa que é em «Piquenique» que o autor mais se aproxima do teatro de Samuel Beckett, «sem abdicar no entanto da significação».
Estado de conservação:
Exemplar completo, com sinais evidentes de manuseamento e de idade, sobretudo nas capas.
- Capa e contracapa com acastanhamento geral do papel e manchas de acidez dispersas
- Margens das capas com desgaste, pequenas falhas e cantos amarrotados, mais acentuados no pé e no canto inferior
- Lombada com vincos e desgaste nas extremidades, mantendo-se firme e legível
- Miolo tonalizado, com manchas de humidade/acidez visíveis nas margens e no centro de algumas folhas
- Alguns vincos em folhas do miolo
- Acompanha uma folha de errata em formato pequeno, solta
Valor histórico e bibliográfico:
Volume inaugural da série «Autores Portugueses» da Galeria Panorama, editora de Alfragide que nos anos sessenta combinava, num mesmo catálogo, ficção científica, policial, western e literatura portuguesa contemporânea — como se vê na lista de séries e de «Últimos volumes publicados» impressa no verso da antefolha deste exemplar.
Interessa a quem colecciona literatura portuguesa do período, edições da Galeria Panorama ou capas ilustradas de design gráfico português dos anos sessenta, e a estudiosos da recepção do teatro do absurdo em Portugal.




