Magie Noire é o terceiro volume da série Chronique du XXe siècle, que Paul Morand publicou em Bernard Grasset ao longo dos anos 20, depois de L'Europe Galante (1925) e Bouddha vivant (1927). Reúne narrativas breves construídas a partir das viagens do autor pela África, pelas Antilhas e pelos Estados Unidos, e é hoje lido tanto como documento literário do modernismo francês entre-guerras como testemunho do imaginário colonial e racial da época — um imaginário que a crítica contemporânea examina com distância.
O exemplar corresponde à 97.ª edição (na prática, uma das numerosas tiragens do ano de lançamento), com folha de rosto datada de 1928 e o endereço da casa Grasset, 61, rue des Saints-Pères, em Paris. A capa mole conserva o preço de 12 francos impresso ao pé da lombada e, na contracapa, um anúncio de época às carroçarias C. T. Weymann, "La marque du progrès", com oficinas na rue Troyon — detalhe publicitário típico da edição corrente francesa dos anos 20 e que raramente sobrevive nos exemplares reencadernados.
A página final numerada é a 303, encerrando o capítulo VIII do último texto. Volume em brochura, com o miolo em papel de pasta económica, aparado irregularmente nas margens.
Ficha técnica:
- Título: Magie Noire
- Autor: Paul Morand
- Edição: 97e Édition
- Publicação: Chronique du XXe siècle, III
- Editora: Bernard Grasset
- Local de edição: Paris
- Ano: 1928
- Encadernação: Brochura, capa mole impressa a duas cores
- Páginas: 303 (última página numerada)
- Idioma: Francês
Sobre o autor:
Paul Morand (Paris, 1888 – 1976) foi escritor e diplomata, uma das vozes mais características da prosa francesa dos anos 20, com um estilo rápido, elíptico e atento à velocidade do mundo moderno. Estreou-se com Tendres Stocks (1921), prefaciado por Marcel Proust, e afirmou-se com Ouvert la nuit e Fermé la nuit, antes de dedicar boa parte da década à literatura de viagem.
A sua carreira ficou marcada pela adesão ao regime de Vichy, que lhe valeu o afastamento do serviço diplomático e da vida literária oficial no pós-guerra. Foi eleito para a Académie française em 1968, depois de anos de veto, e a sua obra continua a ser editada e discutida tanto pelo valor estilístico como pelas posições políticas do autor.
Estado de conservação:
Exemplar completo e sólido, com desgaste de uso próprio de uma brochura de 1928.
- Capas com manuseamento generalizado, papel acastanhado e sujidade superficial
- Capa anterior com vinco/dobra acentuada no canto superior direito e ligeiras perdas de papel nos cantos e junto ao pé da lombada
- Lombada com o papel gasto e escurecido, com falhas junto às charneiras
- Contracapa com manchas dispersas e bordos desgastados
- Assinatura de posse
- Miolo íntegro e legível, com acidez e leve amarelecimento do papel; algumas manchas de humidade nas margens
- Folhas de guarda e primeiras páginas com pontos de foxing
Valor histórico e bibliográfico:
Como tiragem de 1928 na sua brochura editorial original, o exemplar interessa a quem coleciona a literatura francesa do entre-guerras e as edições correntes da casa Grasset, que fez de Morand um dos seus autores de maior circulação. O anúncio das carroçarias Weymann na contracapa é um elemento de época que documenta a prática publicitária no livro francês dos anos 20.
Magie Noire é hoje também um documento útil para o estudo das representações coloniais na literatura europeia, sendo frequentemente citado em trabalhos sobre exotismo, raça e modernidade na prosa francesa do período.




