Duplo Massacre em Moçambique – Histórias Trágicas do Banditismo II | Lina Magaia | 1.ª Edição | Cadernos Tempo | 1989
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1.ª edição, publicada em 1989, de Duplo Massacre em Moçambique – Histórias Trágicas do Banditismo II, de Lina Magaia, integrada na coleção Cadernos Tempo.
Obra ligada à realidade histórica e social de Moçambique, com particular interesse para colecionadores e leitores de história contemporânea africana, estudos moçambicanos e literatura/documentação sobre o conflito vivido no país.
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Segundo volume das Histórias Trágicas do Banditismo, de Lina Magaia, publicado na "Colecção Depoimentos — 5" dos Cadernos Tempo. O livro reúne reportagens e testemunhos recolhidos pela autora junto de camponeses e sobreviventes da violência armada que assolou o campo moçambicano na década de 1980, incluindo uma reportagem sobre o massacre de Homoíne, ocorrido em 1987.
Escrito numa prosa curta, directa e despojada de artifício literário, o volume assume-se como denúncia e como registo: cada capítulo é um relato de aldeia, de família, de caminho cortado. A nota final da autora, datada do período imediatamente posterior à Lei da Amnistia aprovada pela Assembleia Popular em Dezembro de 1987, reconhece a própria reportagem como "incompleta", por lhe faltarem as vozes dos bandidos armados que entretanto se entregaram às comunidades — um gesto de honestidade documental que dá a medida do projecto.
Edição moçambicana, impressa em papel editorial económico, do tipo corrente em Maputo no final dos anos 80. Trata-se de um testemunho de primeira mão sobre a guerra civil moçambicana, de circulação sobretudo interna e pouco frequente no mercado europeu de livro usado.
Ficha técnica:
- Título: Duplo Massacre em Moçambique — Histórias Trágicas do Banditismo II
- Autor: Lina Magaia
- Edição: 1.ª edição
- Publicação: Colecção Depoimentos — 5
- Editora: Cadernos Tempo
- Local de edição: Maputo
- Ano: 1989
- Encadernação: Brochura com capa de cartolina ilustrada, miolo agrafado ao centro
- Páginas: 166 (última página numerada visível)
- Idioma: Português
Sobre o autor:
Lina Magaia (Lourenço Marques, 1945 — Maputo, 2011) foi escritora, jornalista, agrónoma e combatente. Membro do NESAM (Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos), colaborou entre 1961 e 1964 em periódicos como o Brado Africano, A Voz Africana, Diário de Moçambique e Tribuna. Foi detida pela PIDE/DGS em 1965 e, em 1967, partiu para Lisboa, onde frequentou o curso de Economia do ISCEF sem o concluir. Após o 25 de Abril seguiu para a Tanzânia, integrando o Destacamento Feminino das FPLM.
A partir de 1983 fixou-se no distrito da Manhiça e, desde 1986, dirigiu a Região de Desenvolvimento Agrário da Manhiça, em contacto directo com as populações camponesas. Dessa experiência nasceram os textos publicados na revista Tempo e depois reunidos em Dumba Nengue, a que este volume dá continuidade. Foi membro do Secretariado da Associação dos Escritores Moçambicanos e do Comité Nacional da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional.
Estado de conservação:
Exemplar íntegro e nunca lido, com a oxidação e a pátina próprias do papel editorial económico usado em Moçambique no final dos anos 80.
- Capa amarelada, com manchas de sujidade dispersas e pontos escuros, sobretudo na metade inferior
- Pequena perda de papel e esgaçamento na margem lateral direita da capa, junto ao topo e ao pé
- Contracapa com anotação manuscrita a lápis no canto superior esquerdo e vincos ligeiros
- Lombada direita, sem fenda nem perda de papel; agrafos da costura centrais presentes e firmes
- Miolo com acidez generalizada e manchas de foxing nas páginas, sem perda de legibilidade do texto
- Folhas todas presentes e fixas, sem sublinhados nem anotações no interior
Valor histórico e bibliográfico:
O volume é um documento de memória colectiva sobre a guerra civil moçambicana, escrito a quente e a partir do terreno. O seu interesse é simultaneamente literário e documental: constitui uma das primeiras tentativas de fixar por escrito, em português e em primeira mão, os testemunhos das populações rurais atingidas pelo conflito, incluindo o massacre de Homoíne.
Edições dos Cadernos Tempo tiveram tiragens de circulação essencialmente nacional e são hoje de localização pouco frequente fora de Moçambique, o que confere a este exemplar interesse para bibliotecas de estudos africanos, de história contemporânea e de literatura moçambicana.




