É Proibido Apontar – Reflexões de um Burguês I | José Rodrigues Miguéis | Estúdios Cor
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É Proibido Apontar – Reflexões de um Burguês I, de José Rodrigues Miguéis, publicado pelos Estúdios Cor. Obra de reflexão e intervenção literária, marcada pelo olhar crítico do autor sobre a sociedade, a cultura e o seu tempo.
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É Proibido Apontar reúne o primeiro volume das Reflexões de um Burguês, de José Rodrigues Miguéis, publicado em Lisboa pelos Estúdios Cor. O próprio autor descreve o livro, na badana/contracapa, como «apontamentos para um ensaio de psicologia meramente descritiva do português médio tal qual nos fala», sátira de sátira e auto-caricatura do homem «de tudo amargamente descontente mas logo fàcilmente satisfeito».
O fio condutor é Artur, personagem que o autor distingue expressamente de um Fradique: «um ser comum a quem dá para reflectir e dizer, às vezes, verdades como punhos — só para se arrepender ou desmentir». Deste dispositivo resulta um livro de crónica moral e crítica social, escrito por um português exilado nos Estados Unidos, que observa à distância os hábitos mentais do país. As páginas finais visíveis nas fotografias dão o tom do conjunto: uma longa meditação sobre a diferença entre o Herói e o Mártir e sobre a economia moral do martírio.
O exemplar apresenta uma assinatura de posse manuscrita a tinta na folha de rosto, datada de 18-8-64 e localizada no Seixal. Conserva a sobrecapa/capa de brochura com a composição tipográfica a verde e vermelho e o dedo apontador, um dos grafismos mais reconhecíveis do catálogo dos Estúdios Cor. Na contracapa lê-se o preço de capa de 25$00.
Ficha técnica:
- Título: É Proibido Apontar
- Volume: Reflexões de um Burguês – I
- Autor: José Rodrigues Miguéis
- Editora: Estúdios Cor
- Local de edição: Lisboa
- Encadernação: Brochura, com sobrecapa ilustrada
- Páginas: Última página numerada visível: 209
- Idioma: Português
Sobre o autor:
José Rodrigues Miguéis (Lisboa, 1901 – Nova Iorque, 1980) foi um dos nomes maiores da ficção portuguesa do século XX. Licenciado em Direito e formado em Ciências Pedagógicas em Bruxelas, colaborou na revista Seara Nova e participou activamente na oposição republicana e democrática. Emigrou para os Estados Unidos em 1935, onde viveu o resto da vida, mantendo-se ligado à língua e aos temas portugueses.
Da sua obra destacam-se Páscoa Feliz, Onde a Noite se Acaba, Léah e Outras Histórias, Uma Aventura Inquietante e A Escola do Paraíso. As Reflexões de um Burguês representam a vertente ensaística e satírica do autor, na qual a ironia serve de instrumento de análise do carácter nacional.
Estado de conservação:
Exemplar completo e coeso, com os sinais de uso e de acidez próprios de um livro de brochura desta época.
- Capa/sobrecapa acastanhada e com manchas de sujidade dispersas, mais visíveis na metade inferior da primeira capa e em toda a contracapa
- Cantos amarrotados e com pequenas perdas de papel, sobretudo no canto superior direito e nos cantos inferiores
- Lombada com desgaste e ligeiro amarrotamento nas extremidades; topo com pequenas falhas
- Miolo com papel uniformemente acastanhado pela idade e manchas de humidade ténues nas margens e nas folhas de guarda
- Folha de rosto com assinatura de posse manuscrita a tinta, datada de 18-8-64 (Seixal), e pequenas manchas
- Não se observam folhas soltas nas fotografias
Valor histórico e bibliográfico:
Editado pelos Estúdios Cor, casa que nos anos 50 e 60 acolheu boa parte da literatura portuguesa de intervenção, este primeiro volume das Reflexões de um Burguês interessa tanto pelo texto como pelo objecto: a capa tipográfica com o dedo apontador é exemplo do cuidado gráfico da editora e da linguagem visual da época.
Sendo Miguéis um autor do exílio, o livro documenta um olhar crítico sobre a sociedade portuguesa escrito e publicado em pleno Estado Novo, o que lhe confere interesse acrescido para o estudo do ensaísmo e da sátira sob censura.




